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Desafios da gestão em um hospital de transição

28/06/19 • Por Dr. Sergio Candio - Executivo de Negócios e Relacionamento do Placi

1) Quais os principais desafios da gestão em um hospital de transição?

O primeiro desafio está no próprio conceito. Transição quer dizer algo que transita e tem uma continuidade e, no caso de um hospital de transição, esse prosseguimento pode acontecer no ambiente domiciliar ou mesmo em em uma clínica de fisioterapia. Em um hospital de transição, o objetivo é a assistência ao paciente em um período de trânsito entre uma determinada situação clínica e outra. Um dos desafios, portanto, é o entendimento do conceito, que difere por exemplo de uma IPLI (Instituição de Longa Permanência para Idoso), uma vez que o modelo hospitalar de transição se propõe a oferecer assistência em uma internação que pode ser mais rápida ou mais longa, mas que terá começo, meio e fim, isto é, internação do paciente, assistência interdisciplinar e preparação para a alta hospitalar.

2) Como o modelo hospitalar de transição vem sendo aceito pelo setor de Saúde?

O modelo hospitalar de transição tem conquistado cada vez mais espaço para atender à demanda de pacientes por cuidados de transição, seja para reabilitação, assistência continuada ou cuidados paliativos. O setor de saúde é composto por médicos, profissionais da área e pela própria sociedade e, aos poucos, todos esses públicos estão entendendo quando os pacientes necessitam de recursos físicos ou humanos inerentes ao conceito de transição. Com isso, a desospitalização do hospital geral para um hospital de transição como o Placi vem se tornando mais frequente e proporcionando dessa forma assistência mais adequada ao paciente e sua preparação para a alta hospitalar com o máximo de autonomia possível. Com o envelhecimento da sociedade, o processo de desospitalização (do hospital de transição para casa) exige a necessidade de estruturação dos familiares e do ambiente domiciliar para receber e acolher esse paciente, de forma adequada e segura, o que também é um desafio, considerando a redução do número de pessoas de uma família vivendo em uma mesma casa e o excesso de afazeres envolvidos na rotina da sociedade contemporânea.

3) E quais os principais benefícios e vantagens para o paciente e para as operadoras e convênios?

Há benefícios e vantagens para ambas as partes. Unidades de saúde que atuam com o modelo hospitalar de transição têm menor taxa de infecção e esse fator traz um benefício significativo para o tratamento de doenças crônicas, uma vez que pacientes com esse perfil possuem maior risco de serem acometidos por infecções hospitalares ou cruzadas, e o conceito de transição abrange, além de tratar, cuidar de pessoas envolvendo oferecer assistência adequada  e trazer autonomia para o paciente e reduzir o sofrimento gerado pelo uso de equipamentos de respiração artificial, quando não há mais indicação clínica. Por outro lado, a continuidade do tratamento do paciente em unidades de transição impacta positivamente a gestão dos recursos, pois reduz os custos hospitalares para as operadores de saúde e disponibiliza leitos para pacientes que necessitam do suporte de um hospital geral.