O perfil predominante dos pacientes de um hospital de transição, como o Placi, é de pessoas que passaram por um quadro crítico. Por exemplo, um AVC, um infarto, uma fratura importante ou uma cirurgia complexa.
Em geral, eles chegam às nossas unidades com uma perda transitória ou permanente da sua autonomia e da sua independência.
Em outras palavras, têm dificuldades para realizar uma série de atividades da vida diária, mesmo as mais corriqueiras, como comer ou tomar banho, por exemplo.
É aí que entra o papel do terapeuta ocupacional (T.O.). De forma integrada com outras áreas, como a fonoaudiologia e a fisioterapia, esse profissional é decisivo para apoiar o resgate parcial ou completo dessas habilidades básicas e rotineiras ligadas ao autocuidado e às interações sociais.
A intenção é que o paciente volte a viver com o máximo possível de qualidade e dignidade.
Mas como esse trabalho acontece?
Primeiro passo: entender como era esse paciente antes da internação
Tudo é feito de forma prática e contextualizada, de acordo com o perfil e as necessidades de cada um. Por isso, o primeiro passo é realizar uma avaliação inicial para entender como era a rotina antes da internação aqui no Placi.
Por exemplo: a que horas o paciente costumava acordar? Como tomava banho? Quem cozinhava para ele? De que forma se vestia?
Segundo passo: perguntas e observações atualizadas
A partir daí, a equipe de terapia ocupacional passa a identificar como ele está realizando as atividades da vida diária no momento da internação.
Essa etapa envolve perguntas, mas também observações diretas nas tarefas ligadas a higiene pessoal, alimentação, vestimenta, transferências cama-cadeira etc..
Nesse momento, tudo é analisado. Possíveis dores ou fadigas Limitações de amplitude de movimento e de força. Insegurança e medo de queda. E até eventuais dificuldades cognitivas e a compreensão do próprio quadro clínico e de equipamentos que estão sendo usados.
Em outras palavras, não se trata apenas de avaliar se o paciente consegue fazer, mas de como as atividades estão sendo realizadas.
Treinar para a vida lá fora ainda dentro do hospital de transição
Só depois os nossos profissionais partem para a reabilitação propriamente dita: uma etapa prática e essencial que envolve o treino das atividades da vida diária.
Segundo Pablo de Oliveira, T.O. da unidade Placi Niterói: “No próprio hospital de transição, criamos simulações, damos orientações e adequamos espaços, utensílios e recursos de apoio para o paciente realizar com máxima independência os autocuidados e as ações necessárias da sua rotina. Por exemplo, vestir-se e despir-se sentado na beira do leito, quando necessário, com uso de dispositivos auxiliares para abotoar a blusa ou calçar as meias. Alimentar-se, que significa desde comer sozinho na cama até sentar-se à mesa para realizar a refeição. Se necessário, sugerimos copos e talheres adaptados e treinamos os pacientes até que o processo se torne natural para eles.”.
Técnicas e recursos como ferramentas de apoio
Pablo complementa ainda com o exemplo do banho, realizado no chuveiro da enfermaria com barras de apoio e cadeira especial. Nessa hora, a equipe aproveita também para apresentar as chamadas “técnicas de conservação de energia”. Ou seja, o paciente recebe dicas de como poupar seu próprio esforço.
E aqui vale uns parênteses para lembrar que, dependendo do quadro apresentado, um simples banho pode levar a uma fadiga extrema, além de falta de ar e risco de queda ou de desequilíbrio em pacientes frágeis ou cardíacos, para citar alguns casos.
Técnicas e recursos, como dar uma descansada em um banco próprio para isso, usar esponja de cabo longo e organizar os objetos de forma estratégica podem fazer diferença e aumentar a segurança para o paciente. Além de trazer tranquilidade para a família.
Depois do treino, a preparação para a vida no pós-alta
Por fim, o terapeuta ocupacional prepara pacientes, familiares e futuros cuidadores para a alta hospitalar.
Ele cria estratégias e dá orientações de forma que o domicílio seja um aliado da segurança e da independência do paciente.
Aqui é hora de prescrever recursos de tecnologia assistiva, como barras de apoio no banheiro, cadeira higiênica e tábua de transferência, além da adaptação e disposição dos móveis, reorganização dos armários etc.. Sempre de forma personalizada, a partir das necessidades de cada um.
Tudo isso não só melhora a qualidade de vida, como também reduz riscos e chances de reinternações.
