HOSPITAL DE TRANSIÇÃO

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Como evitar burnout em meio a uma intensa rotina profissional?

O burnout já é tratado como doença ocupacional pela Organização Mundial da Saúde (OMS), além de ser visto como questão de saúde pública no Brasil.

Resultado de um estresse crônico no trabalho que não foi adequadamente administrado, o quadro compromete a saúde mental, as relações pessoais e a própria rotina profissional, com sintomas como exaustão física e emocional, sentimentos de negatividade e sensação de ineficácia.

Outro detalhe importante é que as pessoas mais sujeitas a essa condição são as que atuam na área de saúde – pelo contato direto com a dor, a sobrecarga física e emocional e, em geral, pela rotina com turnos prolongados.

Para um hospital de transição como o Placi – feito por pessoas que cuidam de pessoas – investir em cultura organizacional e bem-estar é ainda mais relevante. Isso ajuda a aumentar o engajamento dos profissionais, com reflexos positivos nos atendimentos, além de impactar as dinâmicas das equipes, favorecendo a criação de um ambiente mais saudável e colaborativo.

“Aqui desenvolvemos estratégias para evitar que nossos profissionais atinjam esse nível de esgotamento. E, para colocar essa teoria em prática, tomamos medidas frequentes com a intenção de mitigar tudo que possa interferir no equilíbrio e bem-estar dos nossos colaboradores.”, afirma Thayná Ramalho,  analista de treinamento da Rede Placi.

Placi Entre Nós – o cuidado após cuidado começa na equipe

Um desses cuidados é o Placi Entre Nós. Um espaço de pausa, escuta e reencontro em meio à rotina intensa de quem cuida.  

Criado para os profissionais do Hospital Placi, a iniciativa propõe encontros mensais de 15 minutos — breves, mas cheios de sentido — onde é possível respirar, refletir e voltar-se para si: sem jaleco, sem pressa, entre colegas.

As vivências são conduzidas por Bruno Oliveira, assistente espiritual do Placi, e cada edição traz um assunto importante que convida à presença e à leveza.

Lançado em setembro, o tema inaugural foi “Cuidar de si é resistir” — uma escuta sobre os sinais do corpo e das emoções que gritam silenciosamente.

Já em outubro, foi abordado: “Entre um turno e outro, a alma espera” — um lembrete de que, mesmo no ritmo acelerado, a alma também precisa de pausa.

Feira do Colaborador – burnout tratado como prioridade

Outro exemplo de como a saúde mental é tratada no Placi aconteceu este ano na Feira do Colaborador: uma ação pontual, em alusão ao setembro amarelo, que trouxe como tema: “O cuidado de quem cuida”.

Com o apoio de parceiros como o SUS, a Anhanguera, a B2 Consultoria, a Tamoio, a Drogasmil e a Farmalife, foram promovidas atividades como ginástica laboral, vacinação, aferição de pressão e glicemia, avaliação nutricional e quick massage, além de dicas sobre alimentação saudável e saúde mental.

As dicas sobre a saúde mental começaram de forma interativa, com uma enquete interna envolvendo alguns mitos sobre ansiedade e burnout, desfeitos pela Luiza Ruggeri, nossa psicóloga da unidade de Botafogo.

Vale a pena conferir. Porque se cuidar bem é se fazer bem.

Desfazendo 6 mitos sobre ansiedade e burnout para melhorar a saúde mental

Mito #1 “A ansiedade é sempre algo negativo e deve ser tratada com medicação.”

A ansiedade é natural diante de um perigo, desafio ou novidade. Mas demanda cuidados quando é intensa, persistente e faz sofrer. O tratamento nem sempre envolve medicação.

Mito #2 “Um evento isolado pode gerar um quadro de burnout, mesmo que da noite para o dia.”

O burnout é resultado de um processo prolongado de estresses contínuos. O equilíbrio entre trabalho, descanso e autocuidados é essencial para a prevenção. 

Mito #3 “Quem tem ansiedade sempre aparenta estar nervoso ou agitado.”

O ansioso pode sofrer em silêncio, ter sintomas físicos sutis, sorrir e trabalhar sem que ninguém perceba. Incentivar diálogo e cuidado emocional é sempre importante.

Mito #4 “Se me distancio emocionalmente para continuar ajudando, estou protegendo minha saúde mental.”

Proteger a saúde mental envolve aprender a se envolver de forma equilibrada – com empatia, autoconhecimento e limites saudáveis. Sentir faz parte do processo de ajudar.

Mito #5 “Evitar confrontos e problemas emocionais no trabalho é uma forma de manter a harmonia e proteger a saúde mental.”

Ignorar problemas com os outros no trabalho não elimina tensões: só adia. Enfrentar questões com diálogo, respeito, empatia e limites claros fortalece as relações.  

Mito #6 “Quem mantém um bom desempenho, mesmo cansado, não está em burnout.”

Manter desempenho e produtividade por um bom tempo não significa estar bem. O sinal de alerta está em como a pessoa se sente. E mais: no longo prazo, os resultados acabam caindo.

Para finalizar, vale destacar que no contexto da saúde o burnout também se relaciona com fenômenos como a Fadiga por Compaixão — condição vivenciada por profissionais que lidam intensamente com o sofrimento humano. Em breve, traremos um conteúdo específico aprofundando esse tema.