*Carlos Alberto Chiesa
Com a economia mais estável e o aumento de pacientes da saúde suplementar, cresce a pressão sobre os sistemas assistenciais. É hora de as operadoras assumirem um novo papel: o de defensoras estratégicas dos custos – e não apenas gestoras de sinistros. Nesse contexto, hospitais de transição, como o Placi, podem ser aliados-chave para a sustentabilidade do setor.
O cenário de 2025 para a saúde suplementar traz uma combinação perigosa: economia mais estável, aumento da base de beneficiários, envelhecimento acelerado da população e alta demanda por cirurgias eletivas – especialmente nos meses de abril e maio, historicamente marcados por maior ocupação hospitalar. O reflexo direto é sentido nas carteiras de saúde, que enfrentam um desequilíbrio preocupante, com despesas médicas superando as receitas em várias operadoras.
A conta não fecha e a urgência de buscar alternativas sustentáveis nunca foi tão evidente. Como alerta as operadoras precisam parar de agir como pagadoras passivas e assumir o papel de agentes ativos da gestão de valor, garantindo uma gestão integrada dos cuidados.
É nesse ponto que entram os hospitais de transição, uma alternativa ainda pouco explorada no Brasil, mas com grande potencial de impacto. Estruturas como o Placi, presente em regiões estratégicas como Barra da Tijuca, Brasília e Niterói, oferecem um modelo assistencial centrado na reabilitação e na transição segura do paciente do hospital para casa, reduzindo a permanência prolongada em hospitais de alto custo e melhorando o grau de independência de um indivíduo para o cuidado em casa.
O papel desse modelo é claro: entregar cuidado de qualidade de forma mais eficiente. Hospitais de transição não substituem o hospital agudo, mas completa o cuidado onde ele já não é mais necessário. E isso muda o jogo do ponto de vista econômico e assistencial.
A lógica é simples: internações longas em hospitais de alta complexidade, quando não mais justificadas clinicamente, representam um desperdício evidente. Além disso, expõem o paciente a riscos adicionais – como infecções hospitalares e perda funcional – e elevam exponencialmente o custo da sinistralidade para as operadoras.
No Distrito Federal, por exemplo, a entrada de novos planos de saúde no mercado, aliada à maior procura por cirurgias ortopédicas e neurológicas, tem levado os hospitais à lotação. Nesse contexto, o Placi Brasília emerge como uma válvula de escape eficaz, recebendo pacientes que já passaram pelo momento crítico da internação, mas ainda precisam de cuidados especializados para garantir a plena recuperação.
Com a estabilização da economia, é natural que mais pessoas retornem à saúde suplementar. O que não pode ser natural é que, junto com esse crescimento, venham modelos de cuidado ultrapassados e ineficientes. É hora de redesenhar o fluxo assistencial, e os hospitais de transição têm papel crucial nisso.
O modelo é amplamente utilizado em países com sistemas mais maduros de gestão de saúde, como Alemanha, Reino Unido e Canadá. Por aqui, ainda sofre com o baixo reconhecimento – tanto das operadoras quanto de parte dos profissionais da saúde. Mas o cenário começa a mudar. Alguns planos já começam a credenciar hospitais de transição em suas redes, especialmente em praças de maior pressão assistencial, como São Paulo, Rio de Janeiro e o Distrito Federal.
O recado é claro: se as operadoras desejam reequilibrar suas carteiras e manter a viabilidade do negócio, não basta cortar custos de forma aleatória. É preciso repensar o modelo. E isso inclui, necessariamente, abraçar estruturas que entregam mais por menos – como é o caso dos hospitais de transição. O futuro da saúde suplementar pode estar, justamente, onde menos se esperava: na gestão do cuidado. O cuidado integrado é chave na busca de melhores resultados em saúde.
*Carlos Alberto Chiesa é CEO do Placi
