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Cuidado de enfermagem com o paciente idoso

19/10/16 • Por Rogéria Pereira, gerente de enfermagem do Hospital Placi.

Ter um paciente idoso sob seus cuidados é uma tarefa por vezes difícil e o tempo todo delicada, por todas as dificuldades, barreiras provocadas pelas debilidades, alterações de comportamento a que estão sujeitos, quadros de demência e insuficiência de órgãos. Além disso, é preciso de uma forte dose de estabilidade emocional para lembrar que aquele doente poderia ser seu familiar, e mesmo assim manter o profissionalismo em todas as etapas do processo, sem embotamento do julgamento.

A assistência à saúde do idoso é complexa e pode envolver todos os profissionais da equipe. Cada um tem papel definido nesse atendimento. Pode-se afirmar que enfermeiros, técnicos de enfermagem, médicos, fisioterapeutas, nutricionistas, fonoaudiólogos, terapeutas ocupacionais, assistentes sociais e psicólogos são profissionais com atuação na prevenção de complicações, manutenção da funcionalidade e, em alguns casos, reabilitação da autonomia durante uma internação em hospital de transição como o Placi. Na área de enfermagem, a identificação de necessidades afetadas, o planejamento e a implementação do cuidado são a base para a abordagem da equipe.

No modelo de trabalho adotado neste hospital, os pacientes são classificados em três grupos de cuidados: pacientes para reabilitação, cuidados continuados e cuidados paliativos. O foco da equipe de enfermagem depende da proposta estabelecida para cada grupo. Os aspectos mais relevantes para o idoso inserido no grupo de reabilitação são o estímulo para o autocuidado e as atividades de vida diária. No grupo de cuidados continuados, o foco é a manutenção da condição imposta pelo quadro clínico desse idoso. Já para o idoso em cuidados paliativos, a meta é o conforto. Em todos os grupos, a prevenção de complicações está presente.

O acolhimento, realizado por meio de uma escuta ativa e da capacidade de desenvolver empatia, compõe um comportamento que conforta e transmite segurança aos familiares. As conferências com eles, nas quais é possível esclarecer dúvidas e pensar antecipadamente nas decisões importantes a serem tomadas em momentos críticos, auxiliam os parentes a enfrentar as fases difíceis da internação.

A estrutura de um hospital de transição como o Placi favorece o atendimento das necessidades de pacientes idosos que já passaram pela fase aguda de suas doenças. Prioridades como o convívio familiar são atendidas através do estímulo para que eles tomem parte dos cuidados e de atividades como sessões de reabilitação e terapia ocupacional. Além disso, a possibilidade de os pacientes receberem visitas de seus animais de estimação e de poderem desfrutar do prazer de tomar sol no jardim integra ações desenvolvidas com essa finalidade. A equipe de enfermagem também estabelece uma relação de respeito e dispensa parte do seu tempo a interagir com os pacientes, fazendo com que se sintam valorizados.

Pacientes idosos podem apresentar lapsos de memória ou mesmo um grau expressivo de demência. O entendimento da proposta de cuidado do paciente idoso com demência norteia as ações e também as expectativas da equipe. Quando os familiares também chegam a essa compreensão, e encaram as perdas cognitivas como parte do processo da doença, passam a lidar com as frustrações de maneira mais clara, embora o sofrimento persista. Por vezes, quando o familiar aceita, conseguimos dar apoio através do serviço de psicologia.

Evidentemente, todo esse trabalho precisa e está amparado em uma equipe altamente treinada e qualificada. Para tanto, os profissionais passam por diversos cursos e treinamentos, em especial nas  áreas de gerontologia para a enfermagem, em diversos níveis. No caso do Hospital Placi, as instituições que oferecem capacitação na área são a UFF e a UERJ.

Toda a equipe do hospital é unânime em declarar o quanto é recompensador o relacionamento com pacientes idosos. Independentemente do desfecho que possa se ter, sentir que o cuidado prestado foi decisivo para a reabilitação ou mesmo para o conforto e dignidade no momento da morte gera uma sensação de dever cumprido.